02.

INTRODUÇÃO

(Sem Título)

Mónica Guerreiro & Rogério Nuno Costa

©Rogério Nuno Costa, Vou A Tua Casa em casa de Mónica Guerreiro, Agosto 2003.

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Texto em construção; excerto de conversa gravada em 2007, sem edição. Texto final só disponível na edição física do livro.

(…)

Mónica — Mas eu acho que aqui, ainda que possa ter partido dessas duas necessidades ou características (como referiste), ele não é de todo isso. Ou seja, isto não é um registo, isto não é um resíduo daquilo que ficou, e isto não é apenas uma necessidade de filmar/documentar o resultado final de um processo artístico. Porque tanto um objecto como o outro têm um carácter retrospectivo, no sentido de se proporem, perante uma determinada realidade processual, a reflectir e a criar sobre ela pensamentos novos. Ou seja, afastam-se daquilo que à partida seria o ‘trabalho original’. Por outro lado, convocam o próprio artista a fazer parte desses processos: és tu que realizas o documentário e és tu que seleccionas os conteúdos que devem fazer parte dele, como também és um privilegiado participante do livro. Tens nele imenso espaço para te pronunciares sobre diversos pontos de vista. O que eu te perguntava era: porquê um registo que é completamente diferente (mais arriscado, logo mais exigente) de uma mera memória descritiva?

Rogério — Isso deve-se a duas coisas essenciais. A ideia de uma documentação no sentido tradicional do termo desagradava-me à partida. A minha primeira acção/luta moveu-se no sentido de transformar a documentação de um projecto artístico num projecto autónomo em relação ao projecto-mãe. Ou seja, por um lado, a necessidade urgente de documentar o “Vou A Tua Casa” (tem que ser agora, tem que ser já); por outro lado, a minha tentativa de fugir àquilo que eu já conheço no que respeita à documentação de projectos artísticos.

Mónica — O projecto tem que ser documentado porquê? Porque é que a fruição que os espectadores tiveram do teu projecto e aquilo que tu foste fazendo no blog deixou de repente de ser suficiente?

Rogério — Eu cheguei à conclusão que a questão da documentação era uma questão que merecia ser trabalhada isolada e independentemente em relação àquilo que eu já vinha a fazer no blog. Porque a questão, a meu ver, mais pertinente tem a ver com a peculiaridade do Vou A Tua Casa no que respeita à sua própria documentação, algo que eu não descobri sozinho, mas com a ajuda justamente dos espectadores e das pessoas que foram colaborando comigo ao longo deste tempo. Refiro-me às características “não-documentais” ou “não-documentáveis” do projecto. E olhando para os materiais que foram produzidos para este livro, fico muito satisfeito por ver que todos os colaboradores, na sua condição de críticos, pensadores, investigadores, criadores, etc., foram sensíveis a essa exigência do próprio projecto.

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